28 de set de 2007

OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

Leitor imaginário

não importa teu tempo

o vento

o contratempo

a tua roupa

ou se a cabeça louca

para compor meu breviário

não importa que existas

invistas

se preferes revistas

se governistas

ou resistas

não importa quem te ame

quem te chame

quem em ti mame

ou difame

não importa que mintas

consintas

tenhas pintas

ou tuas quintas

não importa que creias

se esperneias

mas sim que leias

e te toque nas veias




25 de set de 2007

Folhas e palavras

Jogo de palavras
Jogo com as palavras
Um xadrez sem final
Sem solução
Desprovido de xeque-mate
Cujos reis e rainhas
Deram as mãos aos peões
E foram passear de cavalo
Nas torres do bispo

Jogo com as palavras
Num trabalho de laboratório
Misturo as imagens
Em provetas de vários tamanhos
Junto com um pó químico
Sacudo bem
Despejo num almofariz
E encontro a pedra filosofal
Numa frase entornada






Em folhas de caderno
Passeio em várias estradas
Em suas linhas voluteio
Palavras enumeradas
Tantas que se embaralham
Num jogo de cartas sem ás
do castelo de papel
invadido por piratas
atrás de um rodeio
imoral


jogo com as palavras
um xadrez invernal
ao lado de uma lareira
onde dois cochicham
com medo de atrapalhar
o sonho inocente
do poeta insistente
jogo com as palavras
parceiras de uma arte
cobiçada por tolos
que ousam se intrometer com elas
no rolar do lápis na frente
e no verso da folha

jogo com as palavras


Injeção de ânimo!


Lembrem-se: Ontem é historia. Amanhã é mistério e Hoje é uma dadiva. Por isso se chama "presente".


Procurava um dos meus textos pra mostrar pra você - pra ti que está aí e tem me acompanhado nestes dias passados e para outros leitores que virão. Abri um cd e descubro um arquivo cujo título é Mix. Cliquei pra ver. Gosto de mix.
Surpresa! Ele abre com uma crônica do Arnaldo Jabor: Tristeza -, é o seu nome. Quem leu e quem não leu a crônica lembra da tristeza que assolou o mundo naquele 11 de setembro.
Mas o Mix é mix mesmo, tem textos de diferentes épocas. Sigo adiante e leio um pedaço de um daqueles emails que guardei porque sabia que algum dia faria algo com aquelas palavras. Pois bem, o próximo texto inicia colorido e em letra alegre:

Realidade:

Oi!
Meu nome é Felicidade
Faço parte da vida daqueles que tem amigos,
pois ter amigos é ser Feliz.



(acho que foi de onde tirei a frase acima, só voltando no original pra ver)

O arquivo segue com piadas de português que as pessoas adoram contar – pra mim é o mesmo que tascar a pecha no brasileiro de feliz e com samba no pé, mas piadas de português parece ser uma preferência nacional – a piada bem podia ser contada sem o adendo e mesmo assim ser risível, se se quisesse: O sujeito chegou no aeroporto todo carregado de malas. Quando já ia embarcar, viu seu amigo, que era fiscal da alfândega:
- E aí, Joaquim? Tudo jóia? - gritou seu amigo, de longe.
Joaquim respondeu:
- Tudo não! Metade é cocaína.

É... viu? Tinha o Joaquim na parada, é piada de português, sem dúvida. Deletei o primeiro joaquim e colei a piada aqui, mas sobraram dois, em cinco linhas tinham três joaquins e eu não vou trocar os que aparecem por um deolindo, ou outro nome qualquer porque ela perdeu toda a graça.

Aí rolando o mouse faço uma leitura transversal no que aparece depois da série de português e daquelas piadas bem batidas como a do memorando interno, surgem instruções para a vida, de onde caço:

“Imaginem a vida como um jogo, no qual vocês fazem malabarismo com cinco bolas que lançam ao ar”.

Essas bolas são: o trabalho, a família, a saúde, os amigos e o espírito.

O trabalho é uma bola de borracha. Se cair, bate no chão e pula para cima. Mas as quatro outras são de vidro. Se cairem no chão, quebrarão e ficarão permanentemente danificadas. Entendam isso e busquem o equilíbrio na vida. Como?


Ele dá a receita, que inclui > * Não tenham medo de aprender. O conhecimento é leve. É um tesouro que se carrega facilmente.

Deste texto saíram as palavras coladas no início e que, por sua vez, estavam incluídas no “poético” Realidade. No arquivo, as duas mensagens estão separadas, não sei se fazem parte do mesmo email. Se me pedires, expressamente, sou capaz de copiar de lá e te passar os conselhos dados nas duas, mas tenho certeza absoluta que a grande maioria de usuários de email já recebeu esta mensagem; pertence a um daqueles grupos que circulam durante um tempo, são a moda do momento. Nunca percebestes as modas? São tipos de mensagens criadas para abranger diferentes perfis: tem os emails dos românticos; dos idealistas; dos partidários de uma ou outra causa; dos espiritualistas; dos engraçadinhos; dos tarados; dos viajantes virtuais, e por aí vai, como diz um amigo. A propósito, já pedi pra dois conhecidos que parassem de enviar coisas grosseiras - esses usuários pertencem ao tipo dos especialistas em catar o grotesco e querem te empurrar goela abaixo suas preferências; se bem que não são só eles que volta e meia fazem isto. Ninguém agüenta mais as tais correntes e elas insistem em querer que faças parte de um elo delas. E os erros de português nem são mais levados em conta, embora meus olhos tropecem vez por outra. Quanto aos erros, gosto de lembrar que os persas sempre deixavam um erro em seus tapetes para lembrarem de sua imperfeição terrena. Eu erro, tu erras, ele erra, nós erramos, eles erram, todos erram, mas nem por isso amontoemos tantos erros de português num só lugar.

E agora pra treinar o francês:

Le début de L'Engrenage semble ranger le film de Frank Nicotra parmi les fictions naturalistes engagées du moment. Mario, un jeune banlieusard au chômage, marié, père d'un enfant, se rebelle contre la médiocrité programmée de son existence. Débutant par la superposition de scènes de ménage et d'errances suburbaines, le récit prend progressivement corps avec la rencontre d'un personnage dominateur, visiblement riche, qui prend le jeune homme sous son aile.

Que injeção de ânimo, credo, incróis, cruz. Saravá, meu pai!

Completemos então com ;°

Arriscar

Rir, é arriscar-se a passar por parvo.
Chorar é arriscar-se a parecer sentimental.
Ir ao encontro de alguém, é arriscar-se a envolver-se
Expor os seus sentimentos, é arriscar-se a expor o seu Eu profundo.
Apresentar as suas idéias, os seus sonhos à multidão, é arriscar-se a perdê-los.
Amar é arriscar-se a não ser correspondido. Viver é arriscar-se a morrer.
Esperar é arriscar-se a desesperar. Experimentar é arriscar-se a fracassar.

Mas é preciso correr riscos,
pois o maior perigo de todos na vida
é não arriscar nada.

Aquele que não arrisca nada,
não faz nada, não tem nada, não é nada.
">Ele pode evitar o sofrimento e a tristeza,
mas não aprende nada, não sente nada,
não pode nem mudar, nem evoluir,
não pode amar, nem viver.
Preso à sua certeza,
torna-se escravo,
abandona a sua liberdade.

Só aqueles que arriscam são livres.

Mais piadas e:


Chegou a hora de falar da LUA CHEIA EM ESCORPIÃO, que acontecerá no sábado, 11 de novembro de 2000, às 21:21, hora de Greenwich. Para Porto Rico, Santo Domingo e Caracas, às 17:37, para Miami, Colômbia, América Central e parte do Brasil às 16:16. Este fenômeno acontece quando a Lua está em sentido oposto exato em relação ao Sol. Provoca uma influência nas marés e em todos os elementos líquidos do nosso planeta. Isso significa que afeta nossa sensibilidade e nossa mente. Faz com que fiquemos mais vulneráveis ao aspecto negativo. Nossa preparação para a Lua Cheia acontece com a tomada de consciência que devemos estar mais alertas ao nosso temperamento e não permitir a influência dos aspectos do ambiente. Da mesma forma, é recomendado fazer meditações em grupos para poder ativar a energia da paz e da prosperidade. Os pedidos feitos, neste momento, possuem uma força eletrizante que faz com se materializem de maneira plena. Esta Lua Cheia nos dá força para a reflexão e a análise. É própria para gerar novos projetos materiais. É favorável para os trabalhos espirituais. Irá gerar expansão no trabalho espiritual. A posição da Lua traz criatividade nos negócios. O momento é apropriado para fazer associações, o casamento e, também, para a compra de bens.


Faltava este pedacinho. O mix começa com o Jabor em 2001, no meio tem uns do final do século passado e termina com o texto acima, sobre 11 de novembro de 2000. Nem o recheio de piadas tirou o peso destas duas mensagens.
É o mesmo cd onde está gravado Substantivos Abstratos que só postei parte.

Hoje, 24 de setembro de 2007, era 24, já é 25 de setembro, a Lua está em Peixes e como diz a Vanessa Tuleski num dos blogs de Constelar: A Lua em PEIXES favorece que você comece a semana seguindo pela linha de menor resistência, que é procurando se adaptar à realidade e às pessoas ao redor. Uma maior permeabilidade permite um bom acolhimento a conversas e solicitações. Intuição e imaginação em alta. Favorável para reunir e aglutinar pessoas.

Por tudo dito acima, sempre é bom lembrar:
“Ontem é história, amanhã é mistério e HOJE é uma dádiva. Por isso, se chama presente”.

23 de set de 2007

Relance



E aquela mulher que vi de relance pela janela do ônibus? tive a impressão que chorava e que o rapaz a seu lado estava consolando-a.

Uma daquelas imagens repentinas que passam diante de nossa visão desprevenida e tantas vezes, nem damos atenção...

Foi uma fração de segundo, posso ter pegado o final de uma expressão, de uma careta, de um bocejo... ou quem sabe contava um fato ocorrido onde xingava alguém? Não me pareceu ser uma pessoa feia, não, a expressão do rosto é que era esquisita.
Por quê? por quê, então, pareceu de dor? Podia ser qualquer outra coisa...
Mas aquele rapaz que estava ao seu lado, estava sim dizendo-lhe palavras de consolo. Eu e essa minha imaginação... adora imaginar.





Ah... O cemitério. Entendi sua expressão.
Chorava alguém.





21 de set de 2007

20 de set de 2007

nós 2

Estou...

Estás...

Sou

És

Somos

Masculino

Feminino

Plural.

Magnífico!

15 de set de 2007

11 de set de 2007

ENLEVO

João e Maria continuam apaixonados, estão na fase da descoberta, encontram afinidades em pequenas coisas. Programas de tv, filmes, livros, sabores, paisagens, artigos de revistas, poesias e pessoas os inspiram e transformam seu mundo num lugar melhor para viver.
Um mundo de descobertas.
Seus olhos brilham, seu corpo vibra e os gestos são ágeis. E quando estão longe um do outro em função dos afazeres da vida, contam as horas, a saudade aperta o peito, o olhar fica perdido e, de repente, um sorriso brinca nos lábios. Logo, logo, estarão juntos outra vez.

9 de set de 2007

FORÇA MOTRIZ

MULHER

ebulição ardente

HOMEM

sedenta embriaguez

Corpos entrelaçados

sons e silêncios

íntima plenitude

reduto sagrado

potência encantatória

mágica combustão

explosão de prazer

cintilação geradora

emanação da divindade

tocados pela

constituição do outro

átomos se entrecruzam

e se transformam


surge

nova molécula

nova entidade

novo mundo

2 de set de 2007

1 de set de 2007

DICIONÁRIO

Sem grandes idéias para um texto decidi ir ao dicionário e com o dedo apontar uma palavra, e a partir dela, desenvolver o tema. Qual seria aquela que iria me inspirar? Abri e o dedo apontou = compadecer. Ora, ora, ora. Ora, mas que palavra mais triste. No meio de tantas outras aparece logo ela. Há tantas coisas por aí que podem provocar compaixão. Ó! Tantas coisas há para condoer-se. Mas depois daqueles últimos escritos, temas indigestos, quero mesmo é uma palavra mais alegre do que esta e voltei a buscar.

Agora sim: fluorescer! Sim, emitir luz! Que se faça a luz! Luz ainda que vinda de forma artificial – artificial por ela ter sido obtida subjugando o resultado inicial à minha vontade – mas passemos por cima disso e deixemos pousar uma luminescência de boas vibrações sobre o nosso ato de se compadecer com o presenciado, com o sabido por ter ouvido ou por ter lido notícias sobre fatos acontecidos. E também usemos nossa capacidade de suportar o quase intolerável, e então, busquemos nossa compaixão para com o outro que sofre.

Mas “Sua sabedoria não se compadeceu com tais futilidades,” diz o dicionário no sentido de ser compatível; de harmonizar-se. Bem sabemos que com a alegria é muito mais fácil harmonizar-se “que a vida pode ser maravilhosa... maravilhosa”, escuto o cantor no rádio.
E ainda, num outro sentido, compadeça-se com tudo que representa o
tigreto dismilinguido
que vai junto desta missiva.