26/08/2010

Compartilhando belezas

Belíssima a poesia de Paulo de Carvalho:



o canto efêmero das manhãs


Se as manhãs são de vidro, desespero é sua
doença.
Inda que marcadas de sombras, são ofertas das
sobras.

Não tema os escuros, as noites são fêmeas
onde as mais excelsas manhãs adormeceram.

Despida de sol, quem te saberá a pele?
Nos estios de lua o que dirão teus olhos?

Mas se palavra em carvão se veste do aço,
desenha no corte exato, o crepúsculo da luz.

Quando luar; é lâmina curva e prata, fere!
Insinua a sombra lancinante de uivos ao chão.

Onde a mão oferta a ceifa, desnuda a uva;
o inverso incita o verso, faz-se alma e vinho.

Da tua patena, apreende-se o desejar do trigo.
De teus cálices sobejam águas, sede viva e sangue.

Agora,
anseio a mais densa noite na coberta dos cios.
Quando grávida dos cânticos, gestam o espírito.

05/08/2010

DAR


Dar por dádiva
Dar por ter muito
Dar por dar
Dar sem esperar

retorno

01/07/2010

lua cheia

junho, na beira da praia





17/10/2008

MUTANTE

Vejo as pessoas atualizando o perfil no orkut, parentesco, sobrenome, estado civil, entre outras coisas. Como fazer para estar atualizado? A vida é tão mutante...

10/10/2008

Estranhamento



As palavras-idéias estão longe daqui.
Até o teclado está estranhando a ponta dos dedos. E vice-versa.


Trintage




Quem for curioso:
vá para a segunda postagem deste blog.

08/09/2008

Histórias não contadas



Queria contar uma história
que ainda não tivesse acontecido
Queria inventar contos fascinantes
criar como um deus
seres alados que povoassem a imaginação
e acompanhassem as fantasias
das crianças e dos adultos
nas horas de ócio, nas dificuldades
ou nas noites de luar

mas me perco no cotidiano
e nos labirintos de ser humano


19/08/2008

AH...



ah, esse amor

jogado a fundo perdido

mas pouco importa

por ser Amor, basta

quando te vejo com os olhos prateados

sei que somos de outra existência

e sei que encerras um mistério

que adoraria e receio desvendar

de onde vens? quem és?

onde nos encontramos antes?

te conheço e desconheço

reconheço e esqueço

brincas feliz quando me vês

e entonteço com esse algo que escapa

O quê, afinal, vejo em ti?



16/08/2008

sombra







QUISERA




Quisera ter inspiração para
escrever sem lei e sem senhor
Voar pelo abstrato
Expor-me à volúpia do silêncio
Amar aquilo que em ti me seduz:
tua alma, tua essência, tua luz


Sentir num lírico momento,
mais do que o possível
a um carnal amante:
o espírito do teu ser


05/08/2008

03/08/2008

25/07/2008

27/06/2008



Nesta vida aventureira

me mascaro

viro sombra


Sondando descaminhos

Difíceis de imaginar

Posso me encontrar

em vários lugares

(menos onde esperas)

na Idade Média

no século XXXIV

no espaço etéreo

no Hemisfério Imaginário

ou bem perto daqui


Ora fêmea

Ora macho

Ora misturadas peles


Peles que me Ponho




20/06/2008

tochegando!



AMALADOGATO

05/06/2008

06/05/2008

"instalação"

do vendedor de refrigerante ao lado do museu

22/03/2008

A proposta


Há séculos um homem da família era escolhido para tornar-se frade.

Ele foi o escolhido.

Não queria.

Foi obrigado.

Começou seus estudos e vivia triste. Sonhava em casar-se e ter filhos.

Um dia, colhendo ervas medicinais na montanha, lágrimas brotaram de seus olhos e ao caírem sobre uma planta desconhecida começaram a evaporar gases e um cheiro agridoce espalhou-se no ar.

O estudante cambaleou e uma paz profunda o invadiu. Ao recobrar os sentidos percebeu que diante estava parado um homem belíssimo.

Antes de poder pronunciar qualquer palavra escutou o outro dizer: “Sei o porquê de sua tristeza”.

O jovem olhou-o espantado e ficou mais atarantado ainda ao ouvir suas próximas palavras: “Se queres realizar teu sonho só existe uma maneira – é transformando-se em cavalo”.

“Cavalo? Mas aí, em vez de mulher e filhos, terei éguas e potros! O senhor está querendo zombar de mim?”

“Calma meu jovem, ainda não terminei. Se aceitares a minha proposta deverás viver 100 anos desta maneira e irás passar por inúmeras dificuldades que irão colocar à prova a sua determinação. Viverás sempre junto a outros dois cavalos e, dos 3, serás o mais feio e o mais fraco, de forma a nunca ser o preferido. Esquecerás que um dia fostes humano. Terás diversos donos e a todos servirás humildemente. Terminado este prazo estarás livre, mas somente se neste meio tempo pertenceres a uma jovem que te ame muito, apesar da tua condição.”

“Mas que desgraça... e não tenho nem a certeza de que encontrarei esta jovem?”

“Não.”

Sem pensar um milésimo de segundo o jovem respondeu: “Vale o sacrifício”.

Um empurrão violento e uma voz conhecida dizendo: “Tá na hora, levanta pra trabalhar”, o trouxe a realidade.

25/02/2008

22/02/2008

caldo




AMOR
tô extraindo
tô espremendo
tô tirando o caldo de ti
que escorre entre os dedos



06/02/2008

A montanha e o rio

quero saber mais do teu silêncio
e como é silêncio
nada escuto além dos sons da natureza
os grilos fazem serenatas
as cigarras inundam o ar
cachorros falam entre si
daqui e dali
asas batem no céus
e carros deslizam
ora lentamente, ora velozes

Essas sinfonias conheço bem

Agora, só quero saber mais do
Teu silêncio
intenso silêncio
tão cheio de significados desconhecidos
como se você fosse a montanha
eu, o rio que passa e te toca
e nada sabe

03/02/2008

Sem nome