26 de ago de 2010

Compartilhando belezas

Belíssima a poesia de Paulo de Carvalho:



o canto efêmero das manhãs


Se as manhãs são de vidro, desespero é sua
doença.
Inda que marcadas de sombras, são ofertas das
sobras.

Não tema os escuros, as noites são fêmeas
onde as mais excelsas manhãs adormeceram.

Despida de sol, quem te saberá a pele?
Nos estios de lua o que dirão teus olhos?

Mas se palavra em carvão se veste do aço,
desenha no corte exato, o crepúsculo da luz.

Quando luar; é lâmina curva e prata, fere!
Insinua a sombra lancinante de uivos ao chão.

Onde a mão oferta a ceifa, desnuda a uva;
o inverso incita o verso, faz-se alma e vinho.

Da tua patena, apreende-se o desejar do trigo.
De teus cálices sobejam águas, sede viva e sangue.

Agora,
anseio a mais densa noite na coberta dos cios.
Quando grávida dos cânticos, gestam o espírito.

Um comentário:

Paulo de Carvalho disse...

Olá Ana,
Obrigado por tua colheita e plantio de minhas palavras em teu solo.

E ainda as rega com tão carinhosa água: Belíssima a poesia.

Beijo,
Paulo